segunda-feira, 2 de novembro de 2015

É o adeus do Armário?

Vou falar sobre fechar o atelier, tá?  Ou, fechar o espaço na Casa Roxa. Sempre prefiro dizer que é um farewell, see you soon ou até breve. Mas não é. Então o que é, Fernanda?  Eu realmente ainda não sei. O atelier sou eu e eu sou uma metamorfose ambulante (como diria Raulzito  _quanta intimidade com o homem...).
Essa história de modas, estilos e afins apareceu há muito tempo na minha vida. Nem vou contar a história aqui porque é longa e todo mundo dormiria na metade da leitura. O fato é que eu gostava muito de moda e hoje amo estilo. E me permito mudar, fazer outras coisas e graças aos Papais do céu (Deus e meu pai) posso fazer o que gosto. E o atelier foi assim, um sonho realizado. De ter o meu cantinho, com a minha cara.  De viajar e pesquisar in loco as modas nas ruas das cidades. De garimpar belezuras. De criar. Criar peças lindas (às vezes monstruosas e muitas vezes medianas) e de criar laços com pessoas incríveis. Foi para isso que o Armário 26 existiu até então. E que continuará existindo (já criei algumas peças para uma coleção cápsula). O Armário 26 já foi Armário da Ana (que foi a origem do nome Armário, em função da marca ser da Ana Carrard (minha sócia por um tempo, colega de facul, parceira de vida, partner in crime e amiga para sempre) e antes disso já tive a Audrey, a minha primeira marca. Adoro a história que foi feita com tecidos e recortes. Mas agora quero testar outras coisas. E é por isso que quero fechar o espaço do mesmo jeito que abri: com muito amor. E cercada de pessoas queridas. Por isso te convidei para ler esse texto. E, se tu leste até o final, tu sabes que, de alguma maneira, tu fazes parte dessa história. Então, te convido para ver as peças que ainda vivem no espaço e brindar comigo o fim de um ciclo feliz ali, na Casa Roxa.

domingo, 24 de maio de 2015

Fofano, saudades y otras cositas más.

Vocês ja sentiram saudade de algo que nunca viveram? Vez por outra tenho esse sentimento. É uma nostalgia, uma fantasia, algo inexplicável. Como tudo (ou quase tudo) tem explicação nessa vida, fico confabulando e pensando o porque disso tudo. Pensei que pode ser uma remota lembrança do que já vivi em outras vidas (sim, eu acredito em vidas passadas, presente e futuras). Mas, independente dessa minha teoria de ser  uma vivência anterior, não impede que eu a sinta. E  que fazer? Como lidar com sentimentos inexplicáveis? 
É também nessas horas que percebo como o ser humano é cheio de sensações "estranhas"e que não sabemos muito bem como agir quando elas surgem, simplesmente vivemos. É tipo o amor, algo meio que inexplicável. Simplesmente brota algo, cresce (às vezes fica enorme) e sufoca o peito, parece que vamos explodir. É uma sensação boa, independente do tipo de amor que é. Também tem a saudade, que é algo que nos leva a outros lugares e momentos, em um simples toque, barulho,cheiro, imagem. E dor de amor, hein? É um vazio horrível, né? Tudo que nos enchemos quando estamos apaixonados, esvaímos quando sofremos justamente por amor!
Devaneando sobre isso, lembrei de um personagem que eu e uma grande amiga criamos quando éramos crianças (nem tão crianças assim...). O nome dele era Fofano. Ele era um bichinho, parecia um ursinho, que era bem magrinho e quando ganhava amor, ficava enorme. Ficava tão grande que tínhamos que bater nele para ele não explodir. E assim permanece a minha teoria que sofrer diminui e amar aumenta. Claro que o Fofano era caricato, mas percebo que desde sempre penso da mesma maneira. O Fofano fez parte de nossas vidas por muitos anos. Pensamos, inclusive em escrever um livro sobre ele. E hoje, depois de escrever sobre tudo isso, me bateu uma saudade. Talvez pelo tempo chuvoso (que sempre me faz pensar mais), talvez por ser um domingo solitário, talvez pela chegada do friozinho, me dei conta que a saudade que estava sentindo era justamente a que comecei escrevendo. A que nunca vivi. Senti saudades dos nossos esboços, textinhos e risadas sobre um livro que ficou apenas na nossa imaginação.  Senti mais saudades de sentir o cheirinho do livro,  das leituras e explicações sobre o tema (essa é a parte que me refiro, a nunca vivida). Ah, como é bom ter imaginação e memória... Mas é ainda melhor quando a concretizamos. Então, meu desejo da semana é colocar mais coisas em práticas e esvaziar mais  os pensamentos.... para sentir mais saudades do que vivi e menos das imagináveis.


P.S: para não dizer que o Fofano nunca existiu,  ele virou um boneco, feito por outra amiga. Pedi para ela fazê-lo quando a minha amiga (e cúmplice de criação dele) casou, para dar de presente para ela.  A foto, inclusive, é  dele no casamento! O Fofano "real" era de plush e feltro, magrinho e poderia ficar gordo se colocássemos balas na sua pancinha. Fofano viajou para muitos lugares com ela e o marido. Virou praticamente o duende da Amelie Poulin. Hoje ele vive aposentado, em um quarto  em uma cidade na Suiça e deu espaço para um dos grandes amores da minha vida, meu afilhado Thomas, filho do casal.

sexta-feira, 6 de março de 2015

Dos tesouros da vida

Hoje o dia está pura nostalgia aqui em casa. Tudo começou quando encontrei um pendrive e as relíquias que nele me deparei. Abri despretenciosamente, já com  a intenção de limpá-lo para usar em outra coisa. A minha surpresa foi achar fotos de muitos anos atrás. Começou com um arquivo escrito "roupas". Sim, desde sempre eu coleciono referências; só que o mais engraçado é que nem lembrava disso. 

Comecei com essa "mania"há mais de dez anos, acredito que logo que voltei de Nova Iorque e estava em um momento "Sex and the City", obcecada por Carrie, suas amigas e, claro, o figurino das personagens.  





Confesso que hoje em dia não tenho mais esse hábito  (de guardar fotos de roupas que gosto) tão forte como antigamente. Mas abri uma por uma e minha grande surpresa foi que eu usaria a maioria até hoje. E isso mostra que meu estilo continua sendo praticamente o mesmo. Muitas delas, em estilo clássico, meio "Breakfast at Tiffany's".  Se reparar bem, dá para ver que elas são atemporais. Muitas poderiam estar nas vitrines de muitas lojas hoje.  O mais engraçado é que a maioria delas era de vestidos de coquetel ou de festas, vestimentas que eu não teria muito onde usar. As que eu não gostei, olhei calmamente para elas e tentei descobrir o que me atraía naquele look.  Lembro de guardar essas imagens em pastas em um computador que nem sei onde anda (provavelmente em algum cemitério de tecnologias obsoletas). Guardava na esperança de um dia poder encontrar uma costureira e fazer a maioria delas. 
Esse "achado" foi maravilhoso para mim, pois muitas vezes me questiono sobre a moda e os rumos que minha vida tomou com ela. E foi nesse momento que percebi que, de alguma forma, ela já existia em mim e eu gostava muito disso. Naquela época, nos meus vinte e poucos anos, não imaginaria que um dia trabalharia com estilo e moda. Eu simplesmente imaginava aquelas peças no meu armário. Me via passeando em um belo salto e tomando cosmopolitans com minhas amigas em algum lugar de Porto Alegre.  Cosmopolitans esses que os bartenders mal conheciam; e aqueles saltos que hoje nem consigo pensar em usá-los. Era tudo muito diferente. Era tudo muito mais imaginário. Mas, mesmo assim, era tudo muito feliz. 
P.S: as imagens que postei hoje aqui são algumas das que tinham no pendrive e eu não faço a menor idéia de onde eu tirei. Foi da internet, mas não tenho mais as fontes. Sorry :)