Vocês ja sentiram saudade de algo que nunca viveram? Vez por outra tenho esse sentimento. É uma nostalgia, uma fantasia, algo inexplicável. Como tudo (ou quase tudo) tem explicação nessa vida, fico confabulando e pensando o porque disso tudo. Pensei que pode ser uma remota lembrança do que já vivi em outras vidas (sim, eu acredito em vidas passadas, presente e futuras). Mas, independente dessa minha teoria de ser uma vivência anterior, não impede que eu a sinta. E que fazer? Como lidar com sentimentos inexplicáveis?
É também nessas horas que percebo como o ser humano é cheio de sensações "estranhas"e que não sabemos muito bem como agir quando elas surgem, simplesmente vivemos. É tipo o amor, algo meio que inexplicável. Simplesmente brota algo, cresce (às vezes fica enorme) e sufoca o peito, parece que vamos explodir. É uma sensação boa, independente do tipo de amor que é. Também tem a saudade, que é algo que nos leva a outros lugares e momentos, em um simples toque, barulho,cheiro, imagem. E dor de amor, hein? É um vazio horrível, né? Tudo que nos enchemos quando estamos apaixonados, esvaímos quando sofremos justamente por amor!
Devaneando sobre isso, lembrei de um personagem que eu e uma grande amiga criamos quando éramos crianças (nem tão crianças assim...). O nome dele era Fofano. Ele era um bichinho, parecia um ursinho, que era bem magrinho e quando ganhava amor, ficava enorme. Ficava tão grande que tínhamos que bater nele para ele não explodir. E assim permanece a minha teoria que sofrer diminui e amar aumenta. Claro que o Fofano era caricato, mas percebo que desde sempre penso da mesma maneira. O Fofano fez parte de nossas vidas por muitos anos. Pensamos, inclusive em escrever um livro sobre ele. E hoje, depois de escrever sobre tudo isso, me bateu uma saudade. Talvez pelo tempo chuvoso (que sempre me faz pensar mais), talvez por ser um domingo solitário, talvez pela chegada do friozinho, me dei conta que a saudade que estava sentindo era justamente a que comecei escrevendo. A que nunca vivi. Senti saudades dos nossos esboços, textinhos e risadas sobre um livro que ficou apenas na nossa imaginação. Senti mais saudades de sentir o cheirinho do livro, das leituras e explicações sobre o tema (essa é a parte que me refiro, a nunca vivida). Ah, como é bom ter imaginação e memória... Mas é ainda melhor quando a concretizamos. Então, meu desejo da semana é colocar mais coisas em práticas e esvaziar mais os pensamentos.... para sentir mais saudades do que vivi e menos das imagináveis.
P.S: para não dizer que o Fofano nunca existiu, ele virou um boneco, feito por outra amiga. Pedi para ela fazê-lo quando a minha amiga (e cúmplice de criação dele) casou, para dar de presente para ela. A foto, inclusive, é dele no casamento! O Fofano "real" era de plush e feltro, magrinho e poderia ficar gordo se colocássemos balas na sua pancinha. Fofano viajou para muitos lugares com ela e o marido. Virou praticamente o duende da Amelie Poulin. Hoje ele vive aposentado, em um quarto em uma cidade na Suiça e deu espaço para um dos grandes amores da minha vida, meu afilhado Thomas, filho do casal.
